O poder dos pais | Super Nanny

15.1.18


"Estás a ver a Sic? Já colapsaste?? SOCORRO!!"

Era assim que começava uma das muitas mensagens que fui recebendo ontem à noite.

Hoje de manhã, continuavam a cair pedidos como 'Temos de fazer alguma coisa, esta vergonha não pode continuar!!'

E todos, à nossa maneira, nos fomos mobilizando. Uns enviaram queixa à Entidade Reguladora da Comunicação, outros à Ordem dos Psicólogos e muitos partilharam a sua indignação nas redes sociais.

A meio da tarde, outra mensagem

"O programa até poder ser muito mau mas mostra que há famílias que precisam de formação e ajuda com os filhos.
4º lugar nas audiências!!!"


Quase ninguém gostou mas quase todos viram o espectáculo. Espectáculo porque se trata de um reality show. Não é uma simulação, não se tratam de atores mas de vidas reais. Concordo, por isso, com o que a minha amiga diz - que muitas famílias precisam de formação (eu diria que todos precisamos de ajuda e acompanhamento naquela que é a nossa função mais importante) MAS essa formação não passa por expormos a nossa vida ao mundo, por muito que possamos considerar pedagógico (não encontro nada de pedagógico nas soluções apresentadas, nem no formato, ainda assim). 
Há quem diga que sempre houve realities shows e que não podemos estar tão ofendidos ou incrédulos. É verdade, mas nenhum, até agora, expunha a vida de uma criança desta forma. Mesmo que, no limite, tudo seja legal - porque há contratos e autorizações assinadas...

Este texto do Observador está muito bem escrito e expõe uma série de factos e entrevistas. Por exemplo, os pais da criança exposta ontem vão ser escutados. Ainda que não tivessem atuado por mal, a verdade é que não souberam proteger a intimidade da filha nem a sua. A nossa função enquanto pais é, antes de tudo, protecção. E talvez por isso precisem, de facto, de formação parental e de um acompanhamento que os capacite para conseguirem mais harmonia e paz em sua casa. Sem alarido, sem exposição. 
Penso muito na criança de ontem (e todas que virão a ser apresentadas nas próximas semanas). O que será que aprenderam com isto tudo? O que pensarão de si, dos seus pais, da proposta que lhes foi feita? Em que é que acreditam agora? 

Todas as relações são complexas e todas as relações têm um grande potencial para serem incríveis!

Sabemos que o inferno está cheio de boas intenções e que a maior parte das pessoas não faz as coisas por mal. Mas se formos a usar este tipo de justificação para tudo na vida, então seremos livres de fazer o que quisermos porque tudo é feito por bem. E a vida real não é nem pode ser assim!

Compreendemos ontem que a educação não se faz com castigos, nem humilhações, nem com tabelinhas, prendinhas ou com 'agora vais parar de fazer birra, está bem?' Tenho a certeza que muitos sentiram vergonha. Outros reviram-se naqueles comportamentos e talvez, desse ponto de vista, o programa tenha tido uma nota positiva caso tenhamos compreendido o impacto imensamente negativo de tais estratégias. Trocar comportamentos por o cantinho do pensamento ou por prendas não traz nada de bom. 

Realities shows sempre houve - os seus objectivos são claros e parece haver uma espécie de ciência e de requisitos a 'picar' para que sejam top! O que mais me deixa apreensiva é, no entanto, saber que há pessoas que aproveitam a miséria humana para além de todos os limites - expondo os miúdos desta forma. E o mais curioso é que, aposto, muitos deles são pessoas de bem, outros com filhos em casa ou sobrinhos na família. Que pensarão hoje, 24h depois do impacto do primeiro programa. A sério? Será que temos a noção que todos, sem excepção, temos responsabilidades enormes nisto tudo. Temos muito que pensar. Muito ainda para aprender. Fico com a sensação  que algo não voltará a ser (pelo menos durante algum tempo) o mesmo. 

'Quando os nazis vieram buscar os comunistas, eu não disse nada, eu não era comunista.
Quando prenderam os sociais-democratas, não disse nada, eu não era social democrata.
Quanso vieram buscar os sindicalistas, não disse nada, eu não era sindicalista.
Quando me vieram buscar, não havia ninguém que protestasse.

Martin Niemöller

Segue-nos aqui:






1 tema | 5 posts ** Escuta ativa

14.1.18



Começámos o ano a explicar-te o conceito de escuta ativa. Muitas, mas muitas vezes confundimos conceitos e aqui na Escola sentimos que é importante clarificarmos exatamente o que é o quê. Por isso, esta semana, insistimos na ideia da escuta ativa.
Frequentemente, tenho a ideia que mais ninguém escuta ninguém. Ou quando escutamos, temos sempre de adicionar alguma coisa nossa, reconfortar a outra pessoa e dizer-lhe que tem de ver as coisas de forma positiva, por exemplo.
Mas escutar ativamente não tem nada a ver com isso. É um ato de coragem, de respeito pelo outro. É ampará-lo na conversa onde só ele e as suas coisas existem. E é mágico. Conheço poucas pessoas capazes de o fazer. Mas as que o sabem fazer tornam-se pessoas incríveis na vida de quem souberam escutar. E quando fazemos este tipo de escuta, ajudamos o outro a alcançar um nível de entendimento de si que poucos conseguem.
Escutar ativamente não pressupõe silêncios e antes questões colocadas na hora certa. Questões que se aprendem a colocar. Com muito treino, é certo. Mas que vão fazer toda a diferença na vida de quem as recebe (para saberes mais, espreita aqui).

Os cinco + desta semana são:

1. Saberemos mesmo escutar as crianças?
2. O poder da escuta ativa
3. A escuta ativa em dois exemplos
4. Sabes escutar, ativamente? Mesmo?
5. Definição de escuta ativa


Segue-nos aqui:

A escuta ativa em 2 exemplos

11.1.18
A Escuta ativa em exemplos


Exemplo 1:
Filho: "Mãe, já te disse que não me vou embora! Não quero ir para casa. Vou ficar aqui!!"
Mãe: "Tu não me falas assim, António Manuel. Vem cá, pede já desculpa e vamos embora para casa! Lá em baixo vamos conversar melhor. Agora nem mais um piu".


Exemplo 2:
Filho:"Mãe, já te disse que não me vou embora! Não quero ir para casa. Vou ficar aqui!!"
Mãe (a sorrir): Isto é que deve ter sido uma festa e peras para tu não queres ir embora. Foi?"


Exemplos retirados do livro Crianças Felizes




Segue-nos aqui:

Sabes escutar ativamente? Mesmo?

10.1.18


Muito se tem ouvido falar em escuta activa mas a verdade é que somos ainda muito poucos a saber fazê-lo. Nesta formação  um dos módulos é, precisamente, a escuta ativa. No final da primeira sessão, a maior parte dos participantes está de acordo que o mais difícil de fazer é, efectivamente, escutar. 

Porquê?

1 - Fazemos interpretações, julgamos e por vezes até condenamos
"Eu nunca faria isso! Se fazes assim, então é porque... "
"Que sorte que tens!"

2 -Procuramos pôr em comum
Eu também! Está sempre a acontecer-me o mesmo. 
Oh! A mim nunca é assim.
E escutar o outro é só escutá-lo, silenciando o que vai dentro de nós.

3 - Salvar
"Deixa lá, vais ver que vai correr bem! Não te preocupes, não penses mais nisso!"
Escutar é escutar. Há momentos que a coisa mais importante a fazer é mesmo só isso. Sem dar soluções ou ideias ou palmadinhas nas costas. 





Escutar é mesmo um ato de coragem!
Magda Gomes Dias

Mas se por um lado fazemos todas estas coisas acima somos, ao mesmo tempo, muito passivos na escuta. Colocamos questões fracas e que muitas vezes não mostram genuíno interesse e não ajudam os miúdos a explorarem respostas ou outras formas de ver a questão.
Repara que nem sempre tens de ter resposta da criança mas quando a questão fica lá dentro...

Aqui ficam as dicas para se fazer uma escuta ativa como deve de ser:

1 - Há quem diga que é impossível não julgar, interpretar. E eu estou de acordo. 
Mas podemos sossegar os nossos pensamentos, permanecendo focados no que a pessoa à nossa frente está a dizer.

2 - Fazer pausa na nossa agenda pessoal e deixar as nossas ideias e percepções de lado, procurando ver o que é que o outro está a ver.

3 - Escutar com interesse genuíno, eliminando qualquer tipo de distração

4 - Interessa-te. Olha para o teu filho. Para as expressões giras que faz. Segue os olhos dele sempre que puderes - esta é uma excelente técnica de te esqueceres de ti e te entregares totalmente à conversa.

5 - Procura ser o mais empática possível. E toma nota: ser empática não é concordar nem ceder. 

6 - Trabalha a flexibilidade cognitiva - e para o fazer coloca boas questões, ajudando o teu filho a olhar para as questões (sempre que se justificar) por outro lado!


Escutar é, por isso, um ato de coragem porque implica que saibamos praticar uma escuta silenciosa, que respeita o outro nos seus receios, ansiedades e expectativas, sem termos de o salvar, dar sugestões ou interferir. Não é fácil, é certo, mas quando o sabemos fazer, é mágico e tranquilo. 


Segue-nos aqui:





1 tema | 5 posts ** 5 livros sobre Parentalidade

7.1.18

Existem uma série de livros bons sobre Parentalidade. Em início de ano, e para te iniciares no tema, escolhi estes cinco. Quatro deles são leituras que os alunos da Pós-Graduação fazem e que, também segundo eles, nos lançam as bases para o exercício de uma parentalidade com mais significado, amor, serenidade e espírito crítico.
Vamos então às escolhas:




1. The Whole Brain Child, Daniel Siegel, Tina Payne Bryson
em inglês
Quando, em 2005, fiz a certificação em Inteligência Emocional, com a 6seconds, imediatamente me apaixonei pelas neurociências. A evolução do cérebro, as suas áreas complexas e a forma como podemos integrar todas estas áreas são um maravilhoso mundo novo. Quando li este livro escrito pelo  Daniel Siegel pude confirmar e ir mais longe nas aprendizagens que tinha feito com o Josh Freedman. A Pós-Graduação que temos na Escola da Parentalidade relaciona a inteligência emocional com a evolução do cérebro da criança de uma forma descomplicada e simples pelo que recomendamos a leitura deste livro para quem se interessar pelo tema.






























2. Projeto Felicidade, Gretchen Rubin
Li quase todos os livros da Gretchen e continuo a adorar este. Os outros são bons mas este é brilhante. Em 12 meses a Gretchen experimentou uma série de teorias sobre felicidade e questionou-se se lhe trariam mesmo mais felicidade. Pelo meio, vai descobrindo verdades da vida adulta, partilha connosco um pouco da sua vida. Chegamos ao fim do livro leves, tendo levantado boas questões e com um sentimento claro que a vida é uma constante aprendizagem. Tal como são todos os livros que ela escreve.
Parece que este livro está esgotado em tudo quanto é sítio e por isso a única alternativa parece ser adquiri-lo em versão inglesa num dos muitos sites de venda de livros.


3. Crianças Felizes, Magda Gomes Dias
Quando surgiu o convite para escrever este livro, as linhas que decidi para ele eram muito claras. Tinha de ser um texto muito completo, cheio de informação mas, ao mesmo tempo, com uma leitura simples, rápida, entusiasmante e provocadora. O objectivo era que o leitor recebesse toda a informação acerca daquilo que é a Parentalidade Positiva, segundo o modelo que desenvolvemos na Escola, percebesse como funciona graças à ilustração de casos práticos e exemplos, refletisse sobre o assunto (com as tais provocações) e pudesse aplicá-la de imediato E acho que conseguimos o objectivo. 


4. Como falar para as crianças ouvirem e ouvir para as crianças falarem, Adele Faber e Elaine Mazlish

Fiquei muito feliz quando encontrei o livro traduzido. Passou imediatamente a fazer parte das leituras da Pós-Graduação. É um livro simples, muito prático e que nos prova que a comunicação não é um detalhe. O título mostra que a comunicação tem duas vias e se quero que os meus filhos me oiçam, devo falar com eles para que isso aconteça. É um livro muito interessante e de se manter na mesinha de cabeceira!


Porque é que também coloquei aqui mais um livro meu? Porque este livro é sobre autorregulação e sobre como criar dias mais felizes, em família. Não há parentalidade positiva sem autorregulação! Ao longo de 21 dias acompanho-te neste processo em que ficamos a perceber o que nos faz gritar com os nossos filhos, perder a paciência e como dar a volta a todas essas situações. É um livro muito claro, direto, prático e aquele que me deixa muito orgulhosa porque sei que muda radicalmente a nossa visão sobre a forma como exercemos a parentalidade. Depois de leres este livro, é muito possível que nunca mais reajas da mesma forma.
Ah! O livro tem ainda dois bónus - a possibilidade de seres semanalmente acompanhada com mais desafios e lembretes - tens uma newsletter que te seguirá durante esse período e que não te deixará desistir. E, para além disso, no final de cada capítulo, tens uma série de questões como se de um coach pessoal se tratasse. São 21 dias em que tudo se transforma!





12 rotinas diárias que me ajudam a ser mais feliz!

2.1.18


O ano novo é sempre um período em que renovamos a esperança no ano que vem a seguir.
E embora te tenha dito aqui que este início não é, pelo menos para mim, o início de nada em concreto e sim, a continuação de hábitos e de projetos aos quais já dei início, gostava de partilhar contigo algumas rotinas que tenho trazido para a minha vida e me ajudam a ser um bocadinho melhor, todos os dias. Afinal, somos aquilo que escolhemos!

Advertência: Este post é só sobre mim, o que me faz bem e que quero manter ao longo deste ano. Não são verdades universais :) Conheço muita gente que não suporta acordar cedo e que faz imensas coisas noite dentro. Se funciona assim, tanto melhor. Comigo é assim!


1. Acordar mais cedo
Quem me lê há algum tempo sabe que gosto muito de acordar cedo. Gosto sobretudo de começar o dia a tratar de mim, com tempo para o fazer, vestindo a roupa que preparei de véspera, escolhendo a cor do baton ou a forma como vou prender ou soltar o cabelo. Lê aqui porque escolho sempre a roupa de véspera. Este tempo é praticamente não negociável e por isso acordo mesmo mais cedo.

2. Beber um copo de água morna com sumo de 1/2 limão
E sim, faz toda a diferença este hábito, logo de manhã. Confesso que, inicialmente, desconfiei, mas a verdade é que à medida que o fui testando confirmei uma série de benefícios. E é mesmo bom! E antes de me deitar faço o mesmo - mas sem o limão.

3. Acordar os miúdos. Devagar.
Não há nada melhor do que acordar os miúdos com calma. Um beijinho e uma promessa de 'só mais 5 minutos, então' são do melhor que há. Enquanto isso, abrem-se as persianas, verifica-se que a água do chá já ferveu e volta-se aos quartos. Com tempo e sem pressas. E isso faz toda mas toda a diferença. Podes ler mais aqui sobre como sair de casa zen e sem stress.

4.  Fazer a cama
Fazer a cama sempre teve um efeito muito positivo em mim e passei a dar-lhe valor quando fui viver sozinha, aos 19 anos, para Manchester. Em primeiro lugar ficava sempre com a sensação que o quarto estava mais arrumado, o que transmite imediatamente uma sensação de ordem que aprecio tanto. Por outro lado, o facto de ter cumprido com uma das tarefas do dia dá-me uma grande sensação de auto-eficácia. Só por fazer a cama :) !

5. Tomar um bom pequeno-almoço
Em nossa casa não há cereais cheios de açúcar nem gorduras saturadas. Come-se pão bom, com manteiga, compotas (muitas vezes feitas por nós), chá e fruta da época. E sabemos que isto faz toda a diferença não só no rendimento do dia, como também na nossa própria saúde. Todos à mesa, ao mesmo tempo e com tempo para conversar. Todos os dias.



6. Viver mais simples
Queremos muito que os nossos dias sejam mais simples - o ritmo acelerado em que vivemos não traz nada de bom. Vejo famílias a passarem de evento em evento, como se tivessem uma lista das coisas que estão na moda fazer e que têm de ser riscadas. Ao fazê-lo, será que se sentem mais presentes ou será que se sentem a cortar a fita da maratona?
Há muito tempo que decidimos viver de forma mais simples. Essa simplicidade vê-se na forma como nos mantemos o mais possível fieis àquilo que consideramos realmente importante. Menos presentes mas mais presença, menos saídas mas melhores convívios, menos correrias mas mais rituais em conjunto.


7. Tout doucement
Não quero fazer tudo, não quero ir a todas. Quero começar e terminar tudo aquilo a que me proponho e fazer as coisas com calma, uma de cada vez. O que para mim é, francamente, difícil. Tenho o pensamento rápido e contrariar a minha natureza faz com que o meu coração acelere antes de desacelerar. Mas, très doucement, este é um hábito que tenho instalado cada vez mais na minha vida.

8. Act the way you want to feel
A Gretchen Rubin tem uma das verdades da idade adulta que diz que devemos comportar-nos como nos queremos sentir. Quando li esta frase no Projeto Felicidade, delirei! Conheço bem esta verdade - até porque o nosso corpo é capaz de enganar a nossa mente e fazê-la sentir exatamente (ou quase) como nos estamos a posicionar. Experimenta!

9. Planear o dia seguinte
Esta é uma das rotinas que procuro fazer diariamente. Abro a agenda e vejo o que tenho para o dia seguinte. É uma forma de me antecipar e de saber que não há grandes surpresas.

10. Telemóvel off | Livros on!
Muito da minha vida profissional depende do que vamos publicando nas redes sociais e do acompanhamento das métricas e tendências. O que faz com que passa muitas horas online. Decidi, todavia, que de manhã e antes de sair de casa, não acedo a nenhuma rede social. Nem quando me vou deitar. Voltei aos livros!

11. Hidratar | Comer bem | Descansar | Desporto
Não há grandes segredos - beber água e chás, comer em condições, descansar q.b., aprender algo novo todos os dias e fazer desporto pelo menos 2 vezes por semana são uma das formas de encontrar o tal equilíbrio.

12. Duas de letra
Mensalmente (pelo menos) almoço com uma amiga para pôr a conversa em dia e partilhar a vida. Tive uma fase em que deixei de o fazer mas nos últimos meses retomei a rotina e sei que é tão necessária para o meu bem-estar.




Se não te portas bem, olha que o Pai Natal

15.12.17


O Pai Natal tem um ar de querido, mas, na verdade, ele é um fofinho apenas com os pais que fazem bom uso dele logo a partir de outubro, ou assim que as lojas se lembram que vem aí a época natalícia. E digo que é bom connosco porque dá imenso jeito controlar o comportamento das crianças recorrendo a outras pessoas com mais poder do que nós.

Ele é o Pai Natal, ele é aquele senhor que colocamos em frases como “não mexas que vem aí o senhor e o senhor ralha.” Já para não dizer da polícia que, tal como o Pai Natal, não está cá para nos proteger, mas antes para nos levar para a prisão sem qualquer remorso ou tolerância para nos escutar ou dar-nos a hipótese de redenção.

Este trio — o Pai Natal, o tal senhor e o polícia — cumpre os requisitos. Mete medo, ameaça e a criança, enquanto é inocente, vai acatando alguns dos pedidos dados por pais que também eles ouviram aquilo em crianças. O pior vem depois quando descobre que o Pai Natal não existe, que o senhor despega do turno às 18:00, e quer tudo menos levar crianças endiabradas para casa, e que a verdadeira função do senhor de azul é proteger-nos.

Então que venha a ameaça e o castigo agora impostos pelos pais… só que o castigo é a melhor forma de desresponsabilizar uma criança. E porquê? Porque ela não é envolvida na situação, não aprende com ela nem lhe é dada a possibilidade de reparar o que fez.

Então, a questão é: como é que a criança aprende? A criança aprende quando é acompanhada. E sim, isso não garante que ela tenha comportamentos adequados o tempo todo, mas é justamente nesses momentos que temos a melhor oportunidade para ensinar a fazer melhor na próxima vez.

É com a escolha dos comportamentos e tendo a noção do impacto dos mesmos que ela poderá começar a trabalhar uma competência fundamental na idade adulta e que tem o nome de autorregulação. A autorregulação é a capacidade que temos em gerir as nossas emoções e a capacidade de optar por aquilo que nos vai trazer mais vantagens.

Ora, hoje sabemos que este aspeto se treina e a criança necessita de um adulto com paciência, que consiga também gerir as suas mesmas emoções (e frustrações) e que lhe mostre como são os comportamentos mais adequados. E tu vais querer ter esse papel — afinal de contas é para isso que existes, para educares os teus filhos, e educar é corrigir comportamentos.

Não vais querer que ele não faça asneiras porque tem medo do trio de cima ou porque não quer ficar de castigo. Vais querer que ele faça o que faz porque percebeu do interesse de ser assim. E sim, dá trabalho, mas sabes o que ganhas? Ganhas uma relação sem teres de recorrer a ameaças ou a subornos.

Vês, nem o Pai Natal, nem o senhor, e muito menos o polícia, são para cá chamados. Feliz Natal!

Ah! E o Pai Natal existe — e é um querido para as crianças!

1 tema | 5 posts ** A Comunicação Positiva

10.12.17
Comunicar de forma positiva é muito mais do que dizer que sim a tudo. Ainda assim, quando aprendemos a comunicar desta forma é normal cairmos nessa tentação. Mais, é frequente acharmos que devemos levar tudo à letra. Talvez esse seja o grande erro que cometemos: fazer tudo by the book! Devemos ser assertivos, claros, diretos, imaculados e sem erros. Mas a vida real não é assim. É um processo onde se vai caminhando por tentativas e erros. E, nesta vida real há escolhas que são feitas. Quem é que disse que devemos ser assertivos o tempo todo?



Comunicar de forma positiva não é sobre manipular o outro mas antes sobre falar a nossa verdade e necessidades. É mais fácil de se dizer do que fazer. E por isso mesmo, esta semana apostamos neste tema e deixamos-te abaixo os 5 mais lidos!

1. Comunicação positiva - definição
2. Comunicação positiva e amor incondicional
3. Alternativas ao não 
4. Ensine o seu filho a dizer o que precisa
5. O poder da comunicação positiva contra o bullying!

Se ainda não subscreveste a nossa newsletter, está na hora de o fazeres para receberes, semanalmente, uma inspiração e uma newsletter cheia de informação sobre os temas da parentalidade!

O capítulo 4 do novo curso online dedica-se, de forma exaustiva, à questão da comunicação positiva e ao impacto que ela tem na relação com os nossos filhos. Vamos aprender a expressar as nossas necessidades, a comunicar da melhor forma para conseguirmos os melhores resultados. Vamos saber lidar com as insistências normais dos nossos filhos, com as birras e também com as frustrações e inseguranças. É na aula 4!



O poder da comunicação contra o bullying!

10.12.17

1 tema | 5 posts ** A Adolescência

3.12.17
Do nosso ponto de vista, a adolescência pode ser aquela fase que 'mete medo', em que se entra na idade do armário e da parvalheira.

No entanto, se bem conduzida, pode bem ser uma fase extraordinária (com tudo o que cada fase tem de difícil) e onde cada jovem se pode desenvolver de forma harmoniosa e dar num adulto decente. Basicamente, tudo aquilo que desejamos.

Durante esta semana navegamos por alguns dos muitos temas que dizem respeito a esta fase. Aqui ficam os 5 mais desta semana.


1. Porque a adolescência pode ser um período de crise
2. Em vez disto diz antes isto - Comunicação positiva com adolescentes!
3. O que dizer quando nos respondem torto
4. 4 coisas que precisas de ensinar ao teu filho antes de ele se tornar adolescente
5. Adolescentes e felicidade: um estudo


Mais, aqui

ESTUDO SOBRE A FELICIDADE E A ADOLESCÊNCIA

2.12.17


Sabemos que a felicidade não depende de estarmos satisfeitos ou felizes e de fazermos as coisas de que gostamos. Parte daquilo que nos deixa bem também está relacionado com a nossa saída da nossa zona de conforto, indicam vários estudos.

Mas. e no que diz respeito aos adolescentes? Esta tribo que parece sempre insatisfeita e com saltos de humor enormes?

Parece que os adolescentes têm uma forma diferente de se sentirem felizes. E parte está relacionada com correrem riscos. Muitos adolescentes consideram-se imortais e acreditam que são espertos o suficiente para que algo de mal lhes aconteça.

No entanto, um dado novo junta-se à equação. Quando os adolescentes são convidados a contribuírem, a ajudarem os outros, também estão a ultrapassar os seus limites: os do bem-estar, do conforto físico e emocional. Um sentido de realização profunda foi o que sentiram depois de contribuirem para o bem estar de outros.

Em qualquer idade, a ajuda voluntária e organizada parece contribuir para o bem-estar. Afinal de contas, se bem conduzidos, estes miúdos podem fazer coisas extraordinárias e sentirem-se bem em relação a elas

Dar Sentido ao Natal | Revista Parentalidade + nr. 5

1.12.17


Gente gira,

Hoje é dia de uma newsletter muito especial, e porquê? Porque é dia da nova edição da Revista Parentalidade + para leres e descarregares, gratuitamente! E está tão bonita e interessante!

Quisemos dedicar parte desta edição ao Natal e por isso o tema "Dar sentido ao Natal." De que forma é que, cada um de nós, dá sentido a esta altura do ano? E que sentido, já agora?

Tenho a certeza que vais adorar ler a grande entrevista ao Juiz Joaquim Manuel Silva. Vais ficar a perceber porque é que é considerado o Juiz que mais acordos consegue fazer em Portugal e porque é que com ele a justiça na área da família se está a tornar cada vez mais humanaUma conversa tão inspiradora e que me deu muita confiança para o futuro da família, em Portugal.

Mas, para além deste tema, encontrarás outros: duas bloguers que partilham a magia desta quadra connosco (descobre quem são!), saberás como escolher e seleccionar o livro infantil neste Natal, e terás também uma receita preparada especialmente para esta edição, da extraordinária Maria João Clavel! Falamos-te ainda acerca da parentalidade positiva no contexto do processo de intervenção psicológica, da importância da promoção das competências parentais na saúde. Juntamos ainda mais um convidado muito especial. O Ricardo Perez Nuckel, lembra-nos que temos muito para aprender com as crianças, nomeadamente no que toca à negociação. Já tinhas pensado nisso?

Lembra-te de descarregar o teu calendário do advento e, enquanto isso, fica a saber o que se passa na cabeça dos nossos filhos quando reflectem sobre o que é o Natal e espreita também como se vivem os dias 24 e 25 de Dezembro numa neonatologia.

Sabes, esta é uma edição que nos enche de orgulho. Não só pela qualidade dos artigos mas também pelo interesse dos temas e dos seus autores. Mais do que isso: esta revista que tens agora para ler só foi possível graças à colaboração de uma equipa incrível: fotografias, designer, autores e revisores. A todos, muito obrigada! Temos aqui um lindo serviço!!

Apressa-te a descarregar, a ler e a partilhar!

Boas festas, gente boa!

Um beijinho!

4 coisas que precisas de ensinar ao teu filho antes dele se tornar adolescente

29.11.17
Aqui ficam 4 coisas que precisas de ensinar aos teus filhos antes de se tornarem adolescentes:





1. Escuta a tua voz interior
Temos necessidade de dar respostas aos nossos filhos. Queremos sempre que tomem as melhores decisões mesmo que estas sejam induzidas (ou manipuladas) por nós. E, de repente, os miúdos deixam de conseguir ouvir a sua voz interior e aquilo que a sua consciência lhes dita. Deixam até de conseguirem pensar por eles e esta é uma realidade assustadora para as suas vidas presentes e futuras.
Então vamos parar de orientar e vamos explorar bem a arte das questões.
E quando eles não souberem o que responder, vamos colocar-lhes boas questões. Convida o teu filho a explorar o que é que a sua "vozinha" interior lhe diz.

2. Respeita os outros
Nestas idades os miúdos gozam muito uns com os outros. Insultam-se, pegam e brincam. Mas há brincadeiras que magoam. Fica atenta e, sempre que puderes, trabalha a empatia junto deles. Pergunta-lhes não só como é que eles se sentiriam no lugar do outro mas também se a intenção deles é magoar. E se a resposta for não, devolve-lhes uma nova pergunta: 'Então porque é que fizeste isso?'

3. Mantém a proximidade com os teus pais
Este é um discurso que nós, pais,  ouvimos algumas vezes na idade deles "Eu e a tua mãe somos as pessoas que mais te amamos e só te queremos bem!" Hoje sabemos que, muito possivelmente, a intenção dos nossos pais era mesmo aquela. É nossa missão é garantir que os nossos filhos se sentem próximos de nós. Precisamos de lhes mostrar tudo isso e dizê-lo. Muitas vezes.

4. Sabemos que vais ser pressionado pelos amigos
É normal e frequente. Então pensa! Tens mesmo de ir com o grupo todo? O que é que isso faz de ti? Como é que são os teus amigos que têm muita personalidade? Que características têm? E tu, que características desejas ter?

Nesta fase, mais do que orientar, precisamos de ajudar os nossos filhos a mergulharem no seu mundo interior e a encontrarem as suas respostas, as mais adequadas. Parte da formação - a que muitas vezes chamamos de educação - já foi passada. Agora é ativar tudo aquilo que eles aprenderam. E isso só se faz com boas questões!

Mais aqui.


O que dizer quando nos respondem torto

27.11.17
Nos últimos tempos tenho recebido imensas mensagens a pedirem-me dicas sobre como lidar com os miúdos quando estes começam a responder torto.

Uma das dicas que gosto sempre de ensinar tem a ver com a escuta ativa. O que é que a criança nos está mesmo a dizer? A pergunta parece óbvia mas a resposta nem sempre o é!

Aqui fica uma lista que espero seja útil!





www.parentalidadepositiva.com

1 tema | 5 posts ** Resiliência na criança

26.11.17


A resiliência é uma competência e, como tal, pode e deve ser trabalhada nos nossos filhos e em nós.

Mas, afinal de contas, o que é mesmo a resiliência? É a capacidade que temos, depois de termos sido expostos a uma situação de stress, de darmos a volta por cima e superarmos a adversidade. É mais fácil dizê-lo do que fazê-lo. Daí que os últimos estudos apontem que a presença de um adulto seguro ao longo do processo de crescimento da criança seja fundamental [espreita os últimos posts acerca do vínculo e do reconhecimento/elogios porque te vão dar uma enorme bagagem para o tema desta semana].

Será que nascemos resilientes? Sim, alguns de nós nascemos com traços que nos permitem sê-lo. No entanto, se não formos expostos a situações que nos permitam trabalhá-la, então pouco iremos desenvolvê-la.


E a partir de quando é que a criança se torna resiliente? Desde o momento em que é concebida. As suas fragilidades e superações fazem dela mais forte. Um outro exemplo é aquela fase em que chora assim que deseja algo e a fase que se segue em que aprende a esperar. Isso é resiliência. E precisamos de a trabalhar. Darmos uma recompensa à criança porque não pode ter um determinado objecto é uma equação muito perigosa porque ela não vai ser capaz de perceber que se sobrevive a muitas situações desafiadoras. 



Aqui ficam os 5 posts desta semana:

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